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Cultura, alimentação e educação: de mãos dadas com o Erasmus?

2021-05-13

Hoje venho falar-vos de educação e de alimentação. Venho falar-vos de cultura gastronómica europeia e ainda de como cada um faz parte de um todo comum. Porque é que isto nos interessa? Para começar, porque a educação nutricional inspirada na Dieta Mediterrânica que nos foi deixada por herança, está intimamente ligada à história e às características geográficas e sociais da bacia do mediterrâneo, onde Portugal se encontra.

Depois, porque todo o conhecimento que lhe está associado se baseia em produtos naturais e de proximidade, consumidos na sua estação, o que faz daquela uma cozinha sustentável de memórias e de sabores. Por fim, porque o convívio à mesa se constitui como elemento de identidade cultural e de continuidade ancestral, que enfatiza valores de hospitalidade, de diálogo intercultural e de criatividade. Para além do Fado, que nos representa internacionalmente, a Dieta Mediterrância foi o segundo elemento português a integrar a lista de património imaterial da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), reforçando o seu atributo de expressão cultural preservada, em respeito da sua ancestralidade, para as gerações futuras.

No prolongamento destas ideias e dando corpo à missão da Universidade de Aveiro de criar e transmitir conhecimento, promovendo a formação para a cidadania, enquadra-se o Projeto FairFood for a Smart Life, financiado pela Comissão Europeia no âmbito do programa Erasmus+, liderado pela Universidade de Málaga. Além da Universidade de Aveiro, o projeto envolve ainda universidades espanholas, italianas e belgas que, em consórcio, se encontram a trabalhar na criação de recursos para estudantes do ensino profissional das áreas de hotelaria, cozinha, restauração e nutrição, tanto ao nível do secundário como ao nível superior.

Tratando-se de um projeto que quer envolver toda a comunidade, os produtos didáticos distribuem-se por um nível básico e por um nível avançado, organizados em diferentes línguas, que fazem uso de uma plataforma online sobre alimentação tradicional, de um repositório sobre técnicas de conservação e de elaboração, e de dez cursos sobre alimentação saudável baseada em alimentos naturais e de proximidade. Tudo em acesso aberto.

Para a concretização dos seus objetivos, o projeto FairFood conta ainda com o envolvimento de vários parceiros especialistas em cada país. Neste caminho construído por todos, contamos já com as colaborações institucionais da Associação dos Cozinheiros Profissionais de Portugal, da Associação das
Escolas Profissionais de Portugal, através da Escola Profissional do Fundão, e da Associação Portuguesa de Nutrição. De salientar é o pronto entusiasmo que cada um dos nossos associados está a colocar na sua participação, em prol dos que ajuda a formar e da aplicabilidade do conhecimento. Com eles temos vindo a trabalhar com o propósito de contribuir para uma correta educação nutricional capaz de preservar a herança culinária cultural europeia e minimizar a pegada ecológica.

Como é que o leitor pode também colaborar? Através de contributos ligados àqueles conhecimentos tradicionais que não queremos deixar cair no esquecimento. Conhece ou integra alguma entidade que possa ter interesse em juntar-se a nós? Guardou alguma receita da sua avó, de que tanto
gostava? Sabe de alguém que ainda use conhecimento antigo ligado à agricultura? Recorda-se de alguma técnica de conservação ou confeção de alimentos que já quase não é usada? É isto que queremos preservar. É isto que queremos recuperar, recolher e disseminar. Entre nós e para os que vão ficar depois de nós. Para proteger a continuidade da cultura de um povo. Saiba tudo sobre este projeto em https://www.fairfoodproject.eu/ e contacte-nos para nos dizer como pode colaborar neste crescimento partilhado de memórias. Pode fazê-lo para margarida.pinheiro@ua.pt

É esta a mensagem que vos quero deixar hoje: que o conhecimento da cultura de um povo faz parte da sua educação e que a alimentação é um dos expoentes máximos da nossa interculturalidade. É nossa responsabilidade comum mantermos vivo o conhecimento que nos trouxe até aqui.

Cabe a cada um, à sua medida, colaborar! Venha ter connosco.
Margarida M. Pinheiro

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